Resgatando meus velhos escritos decidi investigar e descobrí equívocos diversos de pessoas alheias à vivência nativa com este ente. Muitos associam-na às bruxas européias, ao saci-pererê, aos duendes protetores da floresta e aos vampiros. Mesmo nas capitais nortistas é possível encontrar tais associações exóticas. Não consigo ver qualquer semelhança. Alguns dizem-na feiticeira, mas nunca ouvi tal coisa junto ao povo. Matinta não faz feitiços, só cumpre sua sina, está, nesse sentido, muito mais próxima do lobisomem. Os relatos que ouvi e minha experiência na vida de sítio do interior do Pará atestam o que afirmo. Confundem-na com o rasga-mortalha, uma coruja cujo grito lembra um pano sendo rasgado e que, ao ser ouvido, prenuncia morte na família.
Matintaperera
Chegou na clareira
E logo silvou,
No fundo do quarto,
Manduca Torcato
De medo gelou
Matinta quer fumo
quer fumo migado,
meloso, melado,
que dê muito sumo...
Torcato não pita,
não masca nem cheira.
Matintaperera vai tê-la bonita...
Matintaperera,
de tardinha vem buscar
o tabaco que ontem à noite
eu prometi,
queira Deus ela não venha me agoniar,

Ah! Matinta, preta velha, mãe-maluca,
pé de pato.
queira Deus ela não venha me agoniar......
Matintaperera
chegou na clareira
e logo silvou.
No fundo do quarto
Manduca Torcato
de medo gelou.
Que noite infernal,
soaram gemidos,
resmungos, bulidos,
do gênio do mal...
E, até amanhã,
bem perto da choça
a fúnebre troça
dum vesgo acauã
acauã...acauã...
(Matintaperera, Matinta Pereira, Mati-taperê, Matim-taperê, Titinta-pereira, Mat-Taperê, do Tupi - matintape're).








