3.2.08

Cia Gente Falante

Documentário de curta metragem realizado por estudantes do curso de Produção Audiovisual da PUCRS.

Acompanhe a história de quinze anos da Cia Gente Falante de teatro de formas animadas, uma liguagem teatral que engloba teatro de bonecos, teatro de sombras e teatro de figuras, técnicas de atuação e narrativa já existentes desde muito tempo antes da invenção do próprio cinema.

primeira parte


segunda parte



Duração: 20 minutos em duas partes.

Direção: Ruyter Duarte
Produção: Dado Romagna
Fotografia: Dado Romagna
Edição: Eduardo Oliveira
Diretora Assistente e
Assistente de Edição: Priscila Velho
Assistente de Produção: Gabriela Ribeiro
Som Direto: Jeferson Silva

30.1.08

A companhia de teatro de marionetes Yukiza chega ao Brasil para apresentações em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro e Brasília


Fundada por Yuki Magosaburo I, durante o período Edo (1603-1868), Yukiza é o mais antigo grupo de teatro de marionetes de Edo, Japão e é atualmente liderada por Magosaburo XII. O Yukiza é o único grupo de teatro de marionetes japonês designado Patrimônio Cultural Intangível do Governo Metropolitano de Tókio e reconhecido como Patrimônio Folclórico Cultural. Para a turnê participam 14 membros da companhia, sendo que oito são manipuladores de bonecos. Duas peças do seu repertório clássico serão apresentadas ao público brasileiro

Tsuna-Yakata (A casa de Tsuna)
Watanabe-no-Genji-Tsuna, líder do clã de guerreiros do século X , corta o braço de um demônio, na antiga capital de Kyoto. Advertido por uma deusa de que o demônio voltaria para resgatar o seu braço, dentro de sete dias e sete noites, Tsuna faz abstinência e tranca-se em sua casa.O demônio disfarça-se como a tia de Tsuna, Mashiba, que chega de sua terra natal distante. Mas ele recusa-se a vê-la. Fora da casa, Mashiba faz de tudo, comovendo-o com suas palavras, até que lhe é permitido entrar em sua casa. Os dois começam a dançar felizes e, ao pedido de Mashibba, Tsuna, prontamente, mostra uma caixa de madeira contendo o braço. Ao vê-lo, Mashiba revela sua verdadeira identidade, transformando-se no demônio conhecido como Ibaraki Doji. Ele arranca o braço da caixa e voa para o céu.




Shinpan Utazaimon – Nozakimura no Dan (A vila Nozaki)
A ameixeira está em plena floração na casa do agricultor Kyusaku. Ele tem um filho adotivo, Hisamatsu, que trabalha num estabelecimento comercial de óleo, em Osaka e uma filha, Omitsu. É seu desejo casar Omitsu com Hisamatsu.Infelizmente, Hisamatsu está apaixonado pela filha de seu patrão, Osome. Um funcionário da loja trama para que Hisamatsu seja acusado do roubo de uma grande soma de dinheiro da loja. Ele é despedido do serviço e mandado de volta para sua terra natal. Kyusaku paga a dívida do filho e inicia os preparativos de casamento de Hisamatsu e Omitsu. Porém, Osome resolve ir à vila de Nozaki para encontrar com Hisamatsu. Após o encontro, os dois amantes chegam à conclusão de que preferem o suicídio ao casamento com outra pessoa. Vindo a saber que Osome está grávida, Omitsu sacrifica seu amor por Hisamatsu. Corta seu cabelo e torna-se, assim, uma monja, para que ele possa se casar com Osome. Agradecendo a esse gesto comovente, Osome e Hisamatsu retornam a Osaka, levados por Otsune, mãe de Osome e patroa da loja onde Hisamatsu trabalhava.


Programação

Santos: SESC Santos (rua Conselheiro Ribas, 136) 14 e 15 de fevereiro
Mais Informações: (13) 3278-9800

Rio de Janeiro: Teatro do SESI (rua Graça Aranha,1) 19 e 20 de fevereiro
Mais informações: (21) 2563-4166

Brasília: Teatro Funarte Plínio Marcos (Eixo Monumental Setor de Divulgação Cultural, Lote 2)23 e 24 de fevereiro
Mais informações: (61) 3223-2441

São Paulo: SESC Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245)27 e 28 de fevereiro
Mais informações: (11) 3234-3000


OFICINA COM O MESTRE YUKI MAGOSABURO XII EM BRASÍLIA

Profissionais de teatro de bonecos terão a oportunidade de aprender mais sobre a arte de manipular marionetes, no Teatro Funarte Plínio Marcos, em Brasília, com a companhia japonesa Yukiza, que encanta platéias do mundo há quase 400 anos. A oficina será ministrada pelo mestre Yuki Magosaburo XII, líder da companhia, no dia 22 de fevereiro de 2008. As inscrições, gratuitas, estão abertas até o dia 18 de fevereiro, pelo telefone (61) 3322-2031 ou 3322-2053 e pelo e-mail representacaobrc@funarte.gov.br. Serão aceitas inscrições de profissionais de teatro de bonecos, que devem encaminhar currículo profissional para seleção prévia. O resultado será divulgado no dia 20 de fevereiro de 2007. A oficina é parte da turnê da Companhia Yukiza pelo Brasil.






Data: 22 de fevereiro de 2008, sexta-feira, às 14h
Local: Teatro Funarte Plínio Marcos
Endereço: Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Lote 2
Brasília-DF (atrás da Torre de TV)

Realização: Fundação Japão (Rio de Janeiro e Brasília) Fundação Japão e SESC São Paulo (São Paulo e Santos)
Apoio: Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil , Consulado Geral do Japão em São Paulo, Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, Embaixada do Japão, FUNARTE Sistema FIRJAN

21.1.08

Entrevista com Olga Gomes, diretora da Companhia A Roda de teatro de bonecos

( Realizada para o Blog dos Amigos - Colômbia, janeiro de 2008)

Cuál es la historia del Grupo?

Olga Gomes - El Grupo A Roda surgió en 1997, con el objetivo de pesquizar técnicas de manipulación de los muñecos de madera que ya construía.
Mantiene los mismos integrantes desde entonces: Marcus Sampaio, designer gráfico, Stella Carrozzo, artista plástica, Fabio Pinheiro, titiritero, artista plástico y artesano y Olga Gómez, artista plástica.Comenzamos por enterarnos del funcionamiento de un espectáculo, el entrenamiento teatral, su importancia y aplicacion. Recebimos ayuda de Nehle Franke, directora teatral, atores, en escenografía y también iluminación, de profesionales de estas áreas, pero siempre debíamos adaptar sus sugestiones y para ellos también constituía una nueva experiencia de trabajo.
Somos un grupo de autogestión cultural, esto quiere decir que presentamos nuestros propios proyectos para conseguir los recursos para ejecutarlos.

Qué significa el nombre para ustedes?

O G - El nombre del grupo tiene un significado de movimiento evidente, ya la representación que escojimos por símbolo es un dibujo de Leonardo da Vinci, sobre el movimiento pendular , que tiene por título 'la imposibilidad del movimiento perpetuo", refiriéndose a la tendencia material a la inercia. Esto encierra para nosotros el gran secreto: el teatro de muñecos como un ejercicio de voluntad humana conjunta.

Qué técnicas de manipulación y confección utilizan?

O G - La técnica de manipulación directa, que requiere un ejercicio de pesquiza constante, pues los muñecos utilizados son siempre distintos en sus posibilidades de articulación y puesta en escena. El material utilizado para su construcción es preferencialmente la madera, también cuero y estructuras de hierro articuladas. La materia es tratada con sinceridad y permite la apreciación del método constructivo.

Qué montajes tienen?

O G - Tenemos tres montajes "A cobra morde o rabo", "O combate", "Amor e Loucura", y un trabajo ambulante dentro de cajas con historias de cortísima duración para un solo espectador por vez, que llamamos "Historias da Caixa"

Cómo es su proceso creativo?

O G - Por tratarse de un processo no tradicional, nuestra técnica sufre adaptaciones necesarias a la utilización de estes muñecos. Todo es móvíl, tamaño, peso, articulaciones, tema...
Realizamos pesquizas sobre el tema, desarrollamos un guión, paralelamente los muñecos son construídos por mi y modificados de acuerdo con las exigencias de la acción. En "amor y Loucura" los muñecos casi no se apoyan en ninguna superficie, manipulación “fluctuante”. El territorio de la acción es el aire y tentamos expresar la ligereza y inestabilidad de los sentimientos de esa manera. Buscamos el máximo compromiso emocinal de los integrantes del grupo, de modo a obtener motivos personales para realizar el proceso creativo. Paralelamente establecemos los otros estímulos que estarán presentes, música o texto, siempre en función de la idea. Tenemos colaboradores fijos , tanto en la dirección musical como en la iluminación, para alcanzar un lenguaje común y atingir una evolución en los resultados.

Cuáles son las temáticas que abordan?

O G - Basamos el trabajo en historias de tradición oral secular, folclore y mitos, donde los motivos arqetípicos aparecen representados con claridad. Es un teatro de símbolos, que llega al espectador con intención ritual y contemplativa.

Cómo concibes el teatro de animación de munecos? Puedes poner algo de tu pasión en algunas palabras?

O G - Nuestro teatro de muñecos se origina en una comunión de ideas estéticas y espirituales, es un modo de entender la vida,
Intentamos de establecer con el espectador una comunicación de ideas y valores individuales, como una resistencia a la masificación.

Qué objetivo moviliza tu necesidad creativa?

O G - Soy artista plástica formada en la Escuela de Bellas Artes de Buenos Aires, provengo de una familia humilde, y no me atraía la ejecución de un arte de elite. Creo que el teatro de muñecos es un lenguaje que se aproxima de todas las camadas sociales y de todas las edades,donde es posible que cada espectador rescate sus propias imágenes y se reconozca.

Está en la mira alguna repercusión social?

O G - Oponerse a la masificación cultural, a las imposiciones artísticas del orden social vigente, realizar nuestro trabajo sin presiones comerciales o de mercado.

Consideras tu arte como um acto político en algún sentido?

O G - Sí. Recuperar la opinión, los valores individuales y humanos subvertidos por la televisión, oponerse a la vulgarización corriente, Puede ser parte de un trabajo de retomada de derechos y deberes comunitarios, donde los individuos se sientan capaces de modificar la realidad.

29.12.07

O olho que insiste é o que vê





Benazir
Chico César
'não aponte o dedo
para Benazir Bhutto
seu puto ela está de luto
pela morte do pai
não aponte o dedo para benazir
esse dedo em riste
esse medo triste é você
benazir resiste
o olho que existe é o que vê'

2.12.07

Teatro de Bonecos

Ela _ Ela possui mil braços e em cada mão apenas o indicador. Os dois pés são como patas de elefante que se levantam alternadamente e com grande esforço por conta do peso de quinhentos braços que cada um suporta. Na cabeça quatro orifícios, três miram cegos os pontos cardeais, o globo ocular único gira livremente dentro da cabeça.

Ele _ Ele se constitui de um corpo longo e esguio, sem membros, na extremidade inferior foi acoplado um lado de patim, o direito, que se move pela força de seu pensamento. Na extremidade superior também apenas um olho, com um só orifício frontal, o que só lhe permite olhar para frente.

Ela e Ele vivem cada qual em uma das extremidades de uma tábua de leis que oscila sobre os ombros de um corcunda. O corcunda não precisa se preocupar com o equilíbrio da tábua, apenas a sustenta e, mesmo sabendo da existência deles ignora de que lado da tábua cada um está. Isso lhe poupa julgar as oscilações que sente.
O corcunda é fiel em sua função e não se importa muito com o peso que carrega. Está feliz em imaginar os movimentos que aqueles fazem para fazer oscilar a tábua.
A queixa do corcunda é a falta de possibilidades de manobra.
Um estranho pássaro amarelo vem constantemente lustrar as quatro rodas do patim d’Ele e catar as pérolas barrocas que Ela lhe oferece como alimento.

Ela costuma gritar as leis inscritas na tábua. Um escriba cego traduz para um gravador em trinta e seis línguas mas, terminada a fita apaga o já gravado e recomeça.

Ela _ O que está em cima é igual ao que está em baixo, o que está em cima permanece em cima, o que está em baixo permanece em baixo.
( Ao dizer isso aponta com vinte braços direitos para cima e dezenove braços esquerdos para baixo. O escriba traduz em grego para o gravador).

Ele rola seu patim para equilibrar a tábua que oscilou sob o movimento dos trinta e nove braços d’Ela. Faz isso para aliviar o trabalho do corcunda.

Ela _ Um peso e uma medida. Para cada peso uma medida.
(Lança uma pérola para o pássaro que a apanha no ar antes de sumir entre nuvens).

Vez ou outra uma pérola cai, por distração, no chão. O corcunda é suficientemente estúpido para deseja-la, mas nunca pôde alcançar nenhuma. Isso faz do chão um terreno não muito seguro para o corcunda e para todos sobre ele. Apenas o corcunda sofre com a consciência disso.

21.10.07

Desconcerto



O Teatro Gente-de-Fora-Vem e a Cooperativa Baiana de Teatro apresentam DESCONCERTO. Encenação do texto de Diana Raznovich, inédito no Brasil.
Temporada de 18 a 27 de outubro (Quinta à Sábado) às 20 hs.
Teatro Gregório de Matos. Praça Castro Alves, s/n – Centro.
Contato: Gabriela Sanddyego. Tel. (71) 8818 7949
Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia)








Desconcerto é um monólogo onde a pianista Irene della Porta fala com seu público sobre o pacto que fez com seu empresário para tocar o Som do Silêncio no lugar da Sonata Patética de Ludwig Van Beethoven. Este pacto a atormenta mas, paradoxalmente, lhe traz um enorme êxito profissional já que o público lota seus “desconcertos” para aplaudir seu fracasso. Estreada em 1981, no Ciclo de Teatro Aberto, em Buenos Aires, durante o período da ditadura militar argentina, esta obra já foi traduzida e representada na Alemanha, Espanha, Itália e Inglaterra, transcendendo os localismos alude às condições de vida que a fascistização de qualquer sociedade humana. O texto de Diana Raznovich foi considerada pelo Jornal El País, da Espanha, como uma das “mais belas e poéticas manifestações teatrais de nossa própria repressão”.



Direção: Juliana Ferrari
Assistência de Direção: Monize Moura
Elenco: André Rosa
Preparação Vocal: Janaína Carvalho
Operação de Luz e Som: Cláudio Mendes
Produção Executiva: Gabriela Sanddyego e Zero71 Marketing e Entretenimento
Artistas Convidados
Figurino: Tarcísio Almeida
Cenário: Fábio Pinheiro
Maquiagem: Pedro Costa
Design Gráfico: Leon Bucaretchi



Verdadeiramente adorável o cartaz do Leon mostrando o piano como ausência. Ele não tinha nenhuma outra referência porque o piano utilizado em Desconcerto ainda não existia. Este é um espetáculo que parte da sinceridade de intenções. Como se vê nas fotografias o piano continua representrando a ausência ou a intenção de existir. Que existir será esse que nunca se manifesta e que serão todos estes equivocados ensaios de existir que nos humilham?



O Teatro Gente-de-Fora Vem é uma companhia, sediada na cidade de Salvador Bahia, e atualmente membro da Cooperativa Baiana de Teatro. Desenvolve há quatro anos trabalhos de pesquisa continuados na área de Artes Cênicas.


(Fotografia de André Rosa como Irene Della Porta em Desconcerto.



Os desenhos que ilustram a postagem são charges de Diana Raznovich)

4.9.07

Os que desbravam, os que elucidam

Depois de tanto tempo longe das luzes da cidade volto a Salvador e não me sinto um cego agradecido por retomar a visão destes escolhos, andrajos elegantes, deslumbres inconseqüentes atados à ditadura da novidade. Não sou dos que militam contra o progresso, mas acho importante desconfiar dele. Meditar sobre o que perdemos em troca de facilidades tecnológicas.
Fico triste. Parece que nunca teremos outro Vermeer. Ele que soube aproveitar e entender tão bem a luz do dia através de uma janela como um toque que doura e dignifica o nível do facilmente digerível e perceptível e (claro) lúbrico, como tema e a penumbra que lhe fazia oposição e ocultava a gama de significados necessários ao mistério e à tudo que, por permanecer indecifrável, é o lugar de sobrevivência da arte.
Não é tão alegre acionar um interruptor e ver despejar-se agressivamente a luz amarela de uma lâmpada elétrica como era alegre, intimamente alegre, o acender dos candeeiros. Um ritual magnífico quando se levantavam os adultos todos juntos seguindo pelo corredor escuro. Logo uma luz mortiça na cozinha e o cheiro delicioso de querosene. Avançavam o corredor cada qual com seu candeeiro como uma procissão e depunham-nos sobre as mesas ou penduravam-lhes aos ganchos presos nos caibros do telhado. Sempre em silêncio ou murmúrio porque logo em seguida o radio faria soar a ave-maria.
Fico imaginando o que meditavam sobre a invenção dos candeeiros os acostumados à fricção do sílex.

30.8.07

Sobre a futilidade do progresso

', Et Cetera' de Jan Svankmajer

Quede, cadê?

É improvável que possa entender como foi possível esquecê-lo por tantos anos. Afinal qual a última vez que dele me lembrei? Esqueci.
Quando dei por sua falta? Como sou descuidado!
Quando o procurei? Se houvesse procurado talvez, ao encontrá-lo, o guardasse em outro lugar. Que outro lugar? Mas, afinal, qual foi o primeiro lugar onde o deixei? Definitivamente nunca o procurei. Talvez nem o perdera a não ser em minha memória. Estarão perdidas as coisas das quais não lembramos? Quantas coisas estarão assim não achadas por não procuradas, por nem lembradas. Coisas tantas. Um pedaço imenso que nos constitui sem o sabermos.
Não há tantos lugares onde procurar, aliás, há. Tantas mudanças... Talvez tenha ficado pelo caminho. Eu lhe tinha tanto apego! Não, se fosse apegado eu o mudaria de um lugar para outro e haveriam muitos lugares impregnados de seu significado e todos estes lugares me obsedariam com o peso de sua existência.Lembro muito bem da primeira vez. Não, não lembro. Estranho, por mais que retroceda não me é possível lembrar quando... Ah, mas me lembro como! Não, não lembro. Minha vida, agora percebo, é um ‘roll’ de negações sistemáticas.

29.8.07

O Jardim Selvagem

Quero muito poder um dia reunir minhas anotações sobre as relações do caboclo amazônico com as plantas. São mitos e costumes extraordinários.

Lavadas as carnes vermelhas o enxágüe era reservado para com ele serem regadas certas plantas. A ‘jibóia’, a ‘jiboínha’, o ‘tajá’. A planta ‘curada’ desenvolvia o poder de materializar, à noite, uma jibóia ou de criar a imagem de uma jibóia para afastar intrusos. A imagem de um homem ou preto-velho também poderia ser criada por estas plantas. Caso a planta, depois de curada, de receber pela primeira vez a água com sangue, não recebesse constantemente esse tratamento, ela se voltaria contra os donos da casa, não mais os protegendo de intrusos ou atraindo má-sorte. Depois de iniciado o encantamento era necessário manter a ‘obrigação’.
Minha avó paterna mudava de casa levando suas plantas. O caminhão de mudanças parecia um jardim móvel. Nas casas o jardim ocupava o pátio e as laterais da casa. Vasos, latas de manteiga, vasilhas plásticas, baldes tudo em desordem. Plantas sustentando plantas num arranjo caótico. As samambaias e avencas em profusão. Roseiras, crótons e bananeiras.
Entre os talos das palmas da bananeira ali eram depositados nossos cabelos cortados para voltarem a crescer mais saldáveis. As graxas, que lá se chamavam pampolhas, cresciam próximas à cerca ou substituíam parte dela. A roseira-de-cacho entremeava-se aos gradis das janelas deixando as casas da minha infância estavam sempre em penumbra. Lembro de deitar folhas de papel ao chão e desenhar as silhuetas das plantas que se projetavam desde as janelas.

Gosto das lendas indígenas que falam da metamorfoses de seres humanos em plantas. Dentre as muitas que ouví das bocas de minhas avós e tias antes mesmo de conhecer o mito de Narciso e Eco, que também adoro, está a do Tamba-Taja.

'Havia um índio que, por muito amar sua esposa, levava-a sempre consigo para todo lugar, fosse para caçar, pescar ou lutar. Certa vez, o índio teve que ir para a guerra, mas a esposa estava doente, sem poder andar. Não querendo separar-se de sua amada, ele fez um saco com folhas de bananeira, para carregá-la nas costas. Durante o combate, sua amada foi ferida e morreu. O índio, desesperado de amor, enterrou-se junto com ela. No lugar onde jaziam seus corpos, nasceu um tajá diferente, pois atrás de cada grande folha verde da planta nascia uma pequena folha de forma vaginal. Renasciam assim os amantes, unidos novamente para sempre'.


Waldemar Enrique (1905-1995) compôs 'Tamba-Tajá'

Tamba-tajá me faz feliz
que meu amor me queira bem
que meu amor seja só meu
de mais ninguém
que seja meu,todinho meu,
de mais ninguém.
Tamba tajá me faz feliz...
Assim o índio carregou sua macuxi
para o roçado, para a guerra, para a morte...
assim carregue o nosso amor a boa sorte...
Tamba-tajá me faz feliz...
Que mais ninguém possa beijar o que beijei
que mais ninguém escute aquilo que escutei
nem possa olhar dentro dos olhos que olhei.
Tamba-tajá
Tamba-tajá

Para ouvir ou baixar em mp3 a composição executada no 1° Encontro Nacional de harpistas clique aquí.
E aquí, pelo youtube, uma homenagem a Waldemar Henrique pela Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz tendo Mateus Araújo como rejente.

20.8.07

Só o que trago dos anos 80

Quase nunca ouço música americana mas gosto de Cyndi Lauper e especialmente do álbum 'Sisters of Avalon'(com Jan Pulsford). Dentre suas músicas a que mais ouço é 'Mother', que me causa um estranhamento que beira o místico (e me faz lembrar Hamlet!). Encontrei um comentário atribuído à Cyndi Lauper sobre esta canção no blog 'Brothers and Sisters of Avalon'. Acho bastante confiável porque o discurso parece mesmo com o dela.


"Jan começou a escrever esta canção no Hotel Okura em Tóquio. Jan e eu terminamos ela Connecticut e Tennesse. Shang Shang Typhoon fez a harmonia nesta canção. Como a canção começou a ser escrita em Tóquio, eu e Jan precisavamos de alguém como Shang Shang Typhoon envolvido nesta canção. Eles (grupo de S.S. Typhoon) têm uma existência muito misteriosa, eu sinto como se eles estivessem vindo de um outro planeta mas quando eles entraram em nosso ritmo, eu percebi que eles são realmente maravilhosos. Esta canção é sobre nossa terra, a re-descoberta da terra. Nós, vivemos numa civilização em forma útero materno . Eu também tenho um útero porque eu sou uma mulher e eu tive que mudar o modo que eu penso quando eu percebi que esta civilização está toda conectada pelo útero de uma mãe... Eu escrevi esta canção num dia em que a lua parecia tão azul que isso me inspirou a cantar sobre esta terra e nós... é muito memorável".


Gosto muito desta foto de um disco recente, ela de 'glam lady' diante de NY saindo de um bueiro. Ela nasceu no Queens.

Site oficial de Cyndi Lauper

O comentário seguinte atribuído a Syndi Lauper e onde ela fala sobre a canção 'Love to hate', encontrei no blog 'Brothers and Sisters of Avalon' de Fábio Henrique.

"Como 'You Don´t Know', esta canção também surgiu quando eu estava muito chateada. A história é assim: Um dia, eu fui a um bar cheio de pessoas que estavam lidando com negocios de espetáculo. Eles não sabem qualquer coisa sobre o assunto, mas estavam conversando sobre artistas. Eu penso que isto é tão terrível o quanto eles não se preocupam com outros, mas o assunto se fixou nisso!
Eu disse que estava tentando algo novo, um homem me disse " Ei, isto não é possível para você e até mesmo porque esta é coisa ruim para fazer " (os Leitores não sabe o que Cyn estava tentando para fazer) Então eu pensei : "Quem decidiu que isto é ruim"? Eu estava tão furiosa. Eu poderia dizer que até mesmo se ele finge ser um bandido, dentro dele existe uma pessoa muito conservadora, que segue bem firme ali dentro. Assim, este sentimento que eu tive, me fez pensar nesta canção. Nigel Pulsford e William Witmann deram o acabamento instrumental nesta canção e eu também toco guitarra nela."