15.3.06

Pinóquio







O Pinóquio de Colodi não se refere ao teatro de bonecos como arte em si mais que ao processo de individuação. Pinóquio como personagem, mesmo antes de sua metamorfose final, não está destituído de humanidade, incompleta que seja. O boneco como objeto para o teatro de bonecos (e já em suas manifestações mais primitivas) é necessariamente um simulacro. Precisa de energia vital humana, pela manipulação, criando a ilusão de vida.

Pinóquio nasce carregado de humanidade. O desejo de seu criador não é fazer mais um boneco para a companhia de teatro de bonecos que o explora, mas criar um filho, um companheiro para sua vida solitária. A ação sobrenatural da Fada Azul evoca, além de uma sutil explicação para a pergunta 'de onde vêm os bebês?', o próprio dom da vida.
A presença do tema do Teatro de bonecos em Pinóquio é metafórica.


Conheci o livro maravilhoso de Colodi muito tarde na vida ( assim também a versão açucarada de Disney ), depois de já ter me apaixonado pelo teatro de bonecos. Talvez isso explique o meu extranhamento com sua metamorfose em ser humano. Sinto como um esvaziamento de significados e por outro lado aquela ansiedade que, acredito, todos sentimos diante da criatura de Frankenstein e destas possibilidades de criação de vida pelo homem.



O Grupo Giramundo montou Pinoquio. Foi a primeira vez sem a participação de Álvaro Apocalipse . No site do grupo lê-se:

"(...) a montagem propõe, em analogia com a marionete, a reflexão sobre a formação social do ser humano através da restrição da liberdade e do prazer(...) Usa simultâneamente das principais técnicas tradicionais do Teatro de Bonecos: luva, fio, balcão, tringle, pantins, sombra e bonecos gigantes".

O homem se encontra atraves de suas representações

A reflexão sobre a questão da identidade do homem como sujeito social, encontra-se turvada. A experiência da ilusão de vida dos bonecos promove um tipo de apreensão da identidade em processo de perda, do homem.

"A madeira na qual se esculpiu Pinóquio é a própria humanidade."
( Benedetto Croce)


Aquí cartaz do
filme de Benigni
de 2002 onde
ele mesmo interpreta
o personagem.

Livro de








(Serão acrescentados novos textos, imagens e sugestões de leitura a esta postagem)

5 comentários:

V.B. disse...

Uma das minhas histórias preferidas. Junto com A Polegarzinha, Peter Pan e mais uma que eu sei contar de trás pra frente, mas não consigo lembrar o nome. :c(

Eu gosto muito daqui, viu.

Alex disse...

Adoro Pinóquio. Triste? Sim, não haveria história se não houvesse tristeza. E vice-versa, pq não? Mto bom o post, a frase de Benedetto é muito profunda, uma paixão né? Gostei muito. Sempre admirei logs com cultura. Mais uma vez: parabéns! Abração!

V.B. disse...

Escreve mais. Eu sinto falta.

Adriana disse...

Valeu! Amo teatro de bonecos! Não consigo evitar de me sentir uma criança envolvida pelo mundo da fantasia. Obrigada pelo post! Um abraço!

PS: VIsite meu space também
http//:spaces.msn.com/operariadasletras/

E a Fábrica continua de postar abertas para você!

Rodrigo Cardoso disse...

SINCERAMENTE, É DIFICIL IMAGINAR O SER HUMANO EM UMA FORMAÇÃO SOCIAL DISTANTE DOS PRAZERES E DA LIBERDADE
MESMO COM EX, NÃO DA P/ SENTIR NEM 1% DO QUE É ISSO

E ESSA FRASE ABAIXO:
"A madeira na qual se esculpiu Pinóquio é a própria humanidade."
( Benedetto Croce)

É NO MÍNIMO INTRIGANTE, É PODE-SE DIZER QUE ATRAVEZ DO PROCESSO DE MODIFICAÇÃO DA MADEIRA, O HOMEM PÕE SUA PRÓPIA HUMANIDADE EM SUA ARTE, COM CERTEZA O QUE FEZ O PINÓQUIO, ERA PURO DE CORAÇÃO, OU NO MÍNIMO SOLITÁRIO, COM A FALTA DE SEU FILHO COMO FOI SITADO NO OUTRO TEXTO!
ME PERDOE SE HOUVER INCOERENCIA DE MINHA PARTE, MAIS SE FOR DISCULTIVEL ESTOU AÍ P/ DEBATE DE FORMA QUE CHEGAREMOS EM CONSENÇO SOBRE O ASSUNTO ABORDADO!
FUI