11.7.07

Teatro de formas animadas

imagem e mito


O processo de criação pela imagem vem carregado da profusão de significados que só a imagem pode oferecer. Acredito ser uma forma natural de criação que está no cerne do humano. A palavra e a escrita são eventos tão recentes na construção do pensamento que é possível considerá-los atavios rudes para a apresentação do conhecimento à cerca de algo.

A poesia é certamente a forma mais sublime de utilização da linguagem por se aproximar da experiência que uma imagem produz. Estas afirmações, mesmo parecendo corriqueiras, definem minha atenção e crença nas propriedades ancestrais da utilização de bonecos e formas animadas como veículos de uma comunicação eficiente e desencadeadora de reações criativas e vivas no seu momento de consecução. Sua hibridez entre a arte visual e o teatro lhe respalda esta eficiência. A forma animada reporta à percepção mítica antes que ela se torne mitologia.


Parece existir uma diferença entre mito e mitologia no que diz respeito à percepção, no primeiro caso mística e no segundo intelectual. A partir do momento em que um povo passa a pensar, avaliar e mesmo questionar o valor de seus mitos é sinal de que cessou sua crença neles. A experiência mítica dá lugar à mitologia.


O teatro parece produzir conexões com aquela primeira experiência fazendo brotar sentimentos que reavivam os significados arquetípicos. Freqüentemente se diz que o evento teatral é um rito e comunga com este regras e códigos verbais e gestuais para representar uma idéia, ou seja, torna-la novamente presente, consolidando uma cultura. Os gestos e palavras estilizadas recriam o deus, o herói, o animal ou o evento míticos buscando atrair suas capacidades criadoras, destrutivas ou transformadoras.


O simulacro não deixa de ser percebido como tal e ao ser animado reverbera através da visão todos os conteúdos não verbais que carregamos.



O teatro de bonecos partilha do princípio da experiência social humana. Estava lá de forma rudimentar quando o homem percebeu que sua sombra projetada nas paredes das cavernas pela pequena fogueira doméstica causavam impressões eficientes para contar uma história podendo ser moldada em formas inusuais e representar seres ausentes. Estava lá quando, sentados sob uma árvore, extraíram dali um galho que dava a seu possuidor sua vez de falar ao grupo.

Imagens do fotógrafo Stephen Berkman retiradas de 'The New Instantaneous Process Employed'

Um comentário:

Ronald disse...

Fabio, blog dos mais interessantes, ainda mais aos leigos na matéria como eu que vive em um lugar onde o espetáculo não possui morada. Lamentável..