5.1.07

Uns sentidos

Estala a galha seca
Estala o talo até o grelo
A planta grela e logo medra, logo encraquela
Antes que o verde lhe distinga das pedras
farta poeira polvilha tudo
Pouca saliva mal umedece os lábios
Tudo em torno tem aparência de morte
Tudo arranha e perfura


Faminta a loba cruza o parreiral
Fareja lúbrica, o mato
Ao focinho beija-lhe o orvalho
Roçam-lhe tesos os caniços
De cauda erguida some na distância
Gritam-lhe as uvas: Coma-nos!
Distraída sussurra: Sou carnívora.


Posta de amar
Cardo pungente
Fiz e desfiz a chegada escarlate
Fiz e refiz
O músculo incerto
Que pulsa e congela
Que ilude, que engana
Que fende, que quebra
E ama, e ama

4 comentários:

Sandra Regina de Souza disse...

Deliciosamente excitante... sensações vão se emeranhando às letras... delicadas construções...apenas MARAVILHOSO!! Saudade de vc!! beijos

Anônimo disse...

Poesia massa!
Além da sensualidade que permeia o sentido das frases e a dança dos sons das sílabas das palavras, trata-se do tipo de texto que a gente fica imaginando sendo pronunciado. Mais ainda, são palavras que nos estimulam, a degustá-las nós mesmos. Poesia boa de ler, boa de recitar.
Valeu, amigo.
Abção!

Anônimo disse...

nmnmnmnmnmnmnmn

elaine disse...

Incrível como imaginei depois que li esse...
Enfim...
Se soubéssemos traduzir em palavras completamente, não seria o que é.
As vezes(muitas, quase todas) quero tanto que não quero.
As vezes (várias) você.
Porém as coisas se tornam completamente "entendíveis" quando lembro pode ser uma criança querendo um mundo enorme pra brincar de bola. Aí é mais fácil, ou mais "entendível" conter.
Beijooooo